I rede anti-social

Tem dias em que nada parece fazer sentido. Para dias assim, o negócio é preparar uma sopa, ligar a TV e esperar passar. Só isso.

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Tô passando os olhos pelo feicibuque e, credo. Dá até medo. Sinto me entrando numa sala fechada, sem janelas, cheia de vendedores, de idéias e de coisas, cheia pregadores de diferentes religiões, todos, sem exceção, querendo me cooptar, me convencer, me converter. Saio correndo, fecho a porta rapidamente, testo a tranca, empurro as costas contra a porta. Melhor não abri-la tão cedo. Mas o que digo? Claro que vou olhar meu mural de novo amanhã. Vício.

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E quando a gente reencontra um velho amigo? Uma pessoa que a gente curtiu pacas, que foi um grande camarada numa época incrível da sua vida? Você encontra a pessoa no feicibuque e mal pode acreditar. Que sorte! Enquanto vê o perfil da tal pessoa, vai se lembrando das conversas intermináveis, dos passeios, das confidências, da confiança cega naquela amizade. Vai lá, convida a pessoa. A pessoa aceita. Puxa, que máximo, ela também se lembra de mim! Mando uma mensagem. Como vai sua vida? O que tem feito? A minha está assim. Fiz isso, fiz aquilo. E então, acontece. Vou vendo que aquela pessoa que eu curti tanto, que representou tanto, não existe mais. Aquela pessoa doce, feliz, alegre, otimista, não existe mais. Em seu lugar há uma pessoa dura, cheia de julgamentos, amarga. Uma pessoa que cospe acusações contra aqueles que discordam dela. Uma pessoa que não aceita diferenças. Uma pessoa que se acha dona da verdade. Como isso foi acontecer? Triste. Momento de luto por um amigo que não existe mais.

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É. Vou tirar umas férias do feicibuqui. Ahã. A quem quero enganar?

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Já sei. Vou começar uma campanha do feicibuqui: “Não chame o coleguinha de burro”. Isso. A idéia básica é que ninguém é burro só porque discorda de vc. Vc gosta de colocar o feijão por cima do arroz? Parabéns. Isso não significa que quem prefere o arroz por cima do feijão é burro. Basicamente isso. Mas sei la. Desconfio que não vai pegar. Vão me chamar de burra.

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Deixa quieto. O negócio é usar o feicibuqui para aquilo que ele serve mesmo: conseguir vidas no Candy Crush.

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