Como ser linda

Não sei como ser linda. Até faço idéia, desconfio de algumas coisas. Mas, francamente, não sei. Ah, mas ela sabe. Como ser linda, glamourosa e inesquecível.

Não sei quanto a vocês, mas ando um tanto enjoada da beleza das atrizes, estrelas e etecéteras de hoje. Parece que elas tentam primeiro ser lindas e, só depois, talentosas. Ou talvez, ficar linda demande tanto trabalho, esforço, suor que isto tudo transparece e ofusque a beleza em si.

Sim, porque olhe só estas fotos da minha “ídala” Audrey Hepburn. A beleza simplesmente sai dos poros dela. A beleza entra em nossos olhos. A beleza sobrepõe-se a tudo, mas em silêncio. É uma beleza silenciosa, quieta, discreta. E, ao mesmo tempo, visível e impossível de ignorar.

Talvez o problema seja outro ainda. O conceito de beleza clássica tornou-se popular. Existem parâmetros exatos que definem um rosto como belo e perfeito ou não. Simetria entre os elementos. Uma determinada distância entre os olhos. Uma dada proporção entre os tamanhos dos lábios e do resto do rosto. Então, de repente, é isto o que importa. A perfeição dos meus traços. E dá-lhe cirurgia plástica.
Mas se inicialmente uma cirurgia era feita para corrigir problemas, atualmente elas são feitas para uniformizar os rostos. Ora, a perfeição é só uma. Se todos os rostos do mundo fossem perfeitos, eles seriam iguais. Que horror!
Agora, voltando aAudrey. Quem, olhando para ela, pensa em medir a distância entre suas sobrancelhas ou olhos? Ou o tamanho dos lábios? A beleza dela não dá margem a uniformizações. A beleza dela não dá margem a discussões. Nem a medidas.
E olha que sua vida foi difícil. Filha de uma baronesa (ou condessa? estou com preguiça de pesquisar….) holandesa com um inglês rico e distante, sofreu muito durante a infância com a ausência do pai e com a guerra. Durante a guerra, passou fome, ficou muito doente e quase morreu. Ajudou nas atividades de resistência aos nazistas. Correu perigo. Viu a morte. Tudo isso enquanto era adolescente.
Adulta e já vivendo em segurança nos Estados Unidos, não teve um começo de carreira dos mais fáceis. Sonhava em ser bailarina, mas foi desencorajada por sua professora, que era a melhor e mais respeitada da época. Esta reconheceu que, apesar de possuir uma boa técnica e ser determinada, Audrey não possuía “aquilo” que define uma grande bailarina. Sem rumo, sem sonho, trabalhou dançando aqui e ali, fazendo pequenas pontas. Até que foi descoberta.

Assisti a alguns filmes dela: Sabrina, A Princesa e o Plebeu, Cinderela em Paris, My Fair Lady. Não entendo nada de cinema, mas gosto de pensar que ela nem era uma atriz fantástica e que, por não sê-lo, muito de si mesma vazava para seus personagens. Ou seja, o carisma e o toque de encantamento em seus personagens teriam vindo dela mesma. Mas divago.
Ela teve uma vida intensa e fica a impressão de que ela sempre procurou ser verdadeira e fiel a si. Sua dedicação aos filhos e às causas sociais reforçam esta impressão.

E, finalmente, vejam esta foto. Quem, hoje em dia, em tempos de enlouquecimento em prol da juventude eterna, envelhece com tanta classe?

Bom, agora vou lá, fazer uma promessa para Santa Audrey Hepburn, padroeira das mulheres que querem ser lindas sendo quem são.

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